A ciência do desenvolvimento infantil costumava medir o papel do pai pelo tempo que ele passava com os filhos. Uma revisão no Annual Review of Developmental Psychology por Volling e Cabrera (2025) propõe outra perspectiva: o que importa não é apenas o quanto o pai está presente, mas a qualidade do que acontece quando ele está. As autoras identificam três dimensões centrais na relação pai-filho: amar, brincar e aprender. A dimensão do brincar merece destaque especial – pais tendem a se engajar de forma mais física, intensa e imprevisível do que mães, e essa diferença tem papel próprio no desenvolvimento emocional. A criança que aprende a lidar com a agitação e a novidade na brincadeira com o pai desenvolve habilidades importantes de regulação emocional, tolerância à frustração e confiança interpessoal.
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O pai que ensina: linguagem e curiosidade
A terceira dimensão identificada por Volling e Cabrera é aprender. Pais engajados fazem perguntas, nomeiam objetos, contam histórias e incentivam a curiosidade – com impacto mensurável no vocabulário e no desenvolvimento cognitivo das crianças. Pesquisas mostram que o estilo de comunicação dos pais tende a ser mais desafiador e expansivo, introduzindo vocabulário mais diverso e estimulando a criança a elaborar suas ideias. O papel do pai não é redundante ao da mãe: é complementar. Pais envolvidos criam uma base segura a partir da qual a criança pode explorar o mundo com mais confiança, contribuindo para o desenvolvimento da autonomia. Quando ambos os cuidadores estão presentes e engajados, os benefícios se somam. Um pai que ama, brinca e aprende junto deixa marcas profundas em quem cresce ao seu lado.
O crescimento econômico que ficou no topo
Um artigo do Fundo Monetário Internacional, por Ostry, Loungani e Furceri, questiona a ideia de que beneficiar os mais ricos (com desregulação de mercados, isenções de impostos, etc) faz o crescimento escorrer para baixo, alcançando toda a sociedade – o chamado trickle down. A conclusão é direta: os benefícios de crescimento foram difíceis de estabelecer, enquanto o custo em desigualdade foi alto. E a própria desigualdade gerada acaba reduzindo o crescimento – um ciclo que se retroalimenta negativamente. Um exemplo simples ilustra o problema. Imagine um investidor que compra imóveis esperando lucrar com a valorização. Se a desigualdade crescer demais e a maioria não tiver renda suficiente para comprar ou alugar, não haverá compradores – e o investimento não se realiza. Riqueza concentrada no topo precisa de uma sociedade com renda distribuída para circular e gerar retorno. Um corte fiscal de 1% do PIB aumenta a desigualdade em 1,5% em cinco anos, segundo o FMI. Crescimento duradouro exige distribuição – até para as elites.